segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Acomodado Ego Incômodo [3]

Não sei a razão de existir do inferno astral
ele desnorteia, desconecta, desorienta
e não só o ego despenca
a imaginação e a felicidade se esvaem
nas formas clássicas - ou não
aniversários aterradores
natais depressivos
e o mês de agosto
por que agosto?
porque sim!
sei lá se é o fato de eu não querer ser pai
ou talvez eu ter um pouco de cachorro louco
quem sabe a mudança do egocentrismo inrustido da lua em leão
para a organizacionalidade explícita do ascendente em virgem
só sei que agoto tem um efeito devastador sobre mim
agosto insano
a gosto de Deus
ah, gosto - de venenos lentos e ácidos -
simplesmente agosto chega quando não preciso de um inferno astral
quando não posso me dar ao luxo desses pequenos devaneios psicológicos
e o tal do ego
não mais incômodo
momentaneamente desacomodado
começa a balbuciar no ouvido
coisas que só o cérebro concatena
coisas que nem o coração entende
que se exploda agosto!
tenho um mundo pela frente
a chave da porta do inferno astral nas mãos
e, nesse momento
a porta vai se manter fechada
fico do lado de fora
pois não tenho tempo pra incomodar este ego
com pequenos maus-presságios astrais
o inferno vai ter que esperar

sábado, 31 de julho de 2010

Fusão

o jovem bahiano
cantando a música do carioca
no album entitulado como gaúcho
brasilidade em ultimo grau
o melhor disco de Caetano

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Pimentinha

Momentos felizes
em preto e branco
da pequena notável
Hélice Regina...
Penso como Blues
Ouço como Jazz
Sinto como MPB
só Elis





quarta-feira, 28 de julho de 2010

Proposta

Cara,olha a letra dessa música...
absurdo!
Não existe maneira mais sutil e sofisticada de falar sobre sexo...
videozinho vintage pra satisfazer meus anseios de expressão...

Trânsito

Ontem mesmo eu estava conversando com a Tamara sobre casualidades... Pequenas mentiras que as pessoas contam, grandes tecnologias que os cientistas desenvolvem, aeromóvel, metrô, trem, carro, tráfego... Você sabe. Daquelas conversas longas e prazerosas em que um pensamento leva a outro. Mas ao chegar ao trânsito, conseguimos um consenso. O que provoca mesmo os grandes congestionamentos são aqueles motoristas que trocam de faixa continuamente.

Certamente, são aqueles desesperados que não podem perder a nova novela das sete. Querem colocar os pés pra cima e escorar a cabeça nas almofadas mofadas pela umidade. E, uma vez que estes infelizes conhecem Murphy, eles acreditam piamente que a fila do lado anda mais rápido. Grandiosidade de perseguição. Acúmulo crédulo de esperanças vãs. Tudo que eles conseguem é constatar que a fila do lado - a que eles estavam antes de trocar de faixa - está andando 'menos devagar' que a fila em que eles se encontram. O que eles não constatam é que, ao trocar de faixa, o motorista de trás tem que reduzir a velocidade. E tal bendita/maldita redução, por menor que seja, se propaga como umareação em cadeia... seja por míseros 100 metros, ou por infindáveis 7 quilômetros de fila.

A inconstância e impaciência do coleguinha do carro ao lado me despertou para um certo paradoxo. O trânsito é como a vida. Ou a vida é como o trânsito. Não cheguei a uma conclusão sobre isso. O certo é que nós assumimos a posição que nos é conveniente no trânsito... e na vida. Podemos ser o condutor que troca de pista o tempo todo e, devido a nossa impaciencia e indecisão, atrasamos o avanço dos outros. Podemos ser o motorista do carro de trás, que tem que diminuir a velocidade de suas ações para que os outros se sintam seguros e confortáveis com as mudanças. Podemos ser o cara láááá da frente, andando a 40km por hora numa pista de 80km, e só retardando a vida alheia pela insegurança e lentidão. Ou podemos ser o cara láááá de trás, que alheio a todo movimento, aprecia a viagem de longas horas por miseros metros, sem dar-se conta que sua lentidão não lhe cabe conduzir.

Não sei ao certo que tipo de motorista sou para minha própria existência. E começo seriamente a pensar que nem todo mundo é o mesmo motorista todos os dias. Imagina quão atordoante seria trocar de pista a cada minuto por ser apressado. Ou mais atordoante ainda ver sua vida seguir em velocidade inconstante devido a decisões alheias. Quem sabe o atordoante passe a relaxante se seguirmos a passividade de sermos o ultimo da fila. Inconstância de movimentos nos trás incoerência de filosofias.

Talvez hoje acorde um motorista mais determinado e paciente para alcançar meu destino tão rápido quanto o trânsito determine.
Talvez seja mais um feriado de sol na capital, onde os motoristas atordoados se escondem na praia para esquecer o trânsito da metrópole, quando o momento ideal para esquece-lo é enfrentá-lo... sem um mísero condutor a frente, tampouco buzinaços atrás.
Talvez influenciar o fluxo dos outros seja uma grande responsabilidade a ser encarada de frente e com personalidade. A questão é encontrar um motivo melhor do que 'não perder a nova novela das sete'.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Brilho

Mês passado participei de um evento sobre o Dia da Mulher. Era um bate-papo com uma platéia composta de umas 250 mulheres de todas as raças, credos e idades. E por falar em idade, lá pelas tantas, fui questionada sobre a minha e, como não me envergonho dela, respondi.

Foi um momento inesquecível...

A platéia inteira fez um 'oooohh' de descrédito.

Aí fiquei pensando: 'pô, estou neste auditório há quase uma hora exibindo minha inteligência, e a única coisa que provocou uma reação calorosa da mulherada foi o fato de eu não aparentar a idade que tenho? Onde é que nós estamos?'

Onde não sei, mas estamos correndo atrás de algo caquético chamado 'juventude eterna'. Estão todos em busca da reversão do tempo. Acho ótimo, porque decrepitude também não é meu sonho de consumo, mas cirurgias estéticas não dão conta desse assunto sozinhas.

Há um outro truque que faz com que continuemos a ser chamadas de senhoritas mesmo em idade avançada. A fonte da juventude chama-se "mudança". De fato, quem é escravo da repetição está condenado a virar cadáver antes da hora.

A única maneira de ser idoso sem envelhecer é não se opor a novos Comportamentos, é ter disposição para guinadas.

Eu pretendo morrer jovem aos 120 anos.

Mudança, o que vem a ser tal coisa? Minha mãe recentemente mudou do apartamento enorme em que morou a vida toda para um bem menorzinho.

Teve que vender e doar mais da metade dos móveis e tranqueiras, que havia guardado e, mesmo tendo feito isso com certa dor, ao conquistar uma vida mais compacta e simplificada, rejuvenesceu.

Uma amiga casada há 38 anos cansou das galinhagens do marido e o mandou passear, sem temer ficar sozinha aos 65 anos.

Rejuvenesceu. Uma outra cansou da pauleira urbana e trocou um baita emprego por um não tão bom, só que em Florianópolis, onde ela vai à praia sempre que tem sol.

Rejuvenesceu. Toda mudança cobra um alto preço emocional.

Antes de se tomar uma decisão difícil, e durante a tomada, chora-se muito, os questionamentos são inúmeros, a vida se desestabiliza. Mas então chega o depois, a coisa feita, e aí a recompensa fica escancarada na face. Mudanças fazem milagres por nossos olhos, e é no olhar que se percebe a tal juventude eterna. Um olhar opaco pode ser puxado e repuxado por um cirurgião a ponto de as rugas sumirem, só que continuará opaco porque não existe plástica que resgate seu brilho. Quem dá brilho ao olhar é a vida que a gente optou por levar.

Olhe-se no espelho...

Lia Luft



Estou pronto...

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Junia

Já falei por aqui que sou um cara eclético.
Gosto de Gaga, de Betânia, de Chico, de Marenco.
Mas desse eu gosto mais!
Happy Birthday my dear idol!
Happy 25!

Oh Darling

Sigo nos antigos vícios...

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Nothing Hill

um filme
uma canção
um final feliz
todos implantam-me sorrisos bobos e espontâneos

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Brasilidade [3]

Animação de Walt Disney, de 1942
a pedido de Getúlio Vargas
ao som de Ary Barroso
uma celebração internacional ao nacionalismo...

terça-feira, 20 de julho de 2010

Amigos

aos meus...
por ser intenso
por ser efêmero
por ser real




Feliz dia do amigo!

Nobreza Humana

Possivelmente você já ouviu ao menos falar sobre os três tenores. O italiano Luciano Pavarotti, os espanhóis Plácido Domingo e José Carreras.

É possível mesmo que os tenha assistido pela TV, abrilhantando eventos como a Copa do Mundo de futebol.

O que talvez você não saiba é que Plácido Domingo é madrileno e José Carreras é catalão. E há uma grande rivalidade entre madrilenos e catalães. Plácido e Carreras não fugiram à regra. Em 1984, por questões políticas, tornaram-se inimigos.

Sempre muito requisitados em todo o mundo, ambos faziam constar em seus contratos que só se apresentariam se o desafeto não fosse convidado. Em 1987, Carreras ganhou um inimigo mais implacável que Plácido Domingo. Foi surpreendido por um terrível diagnóstico de leucemia.

Submeteu-se a vários tratamentos, como auto-transplante de medula óssea e trocas de sangue. Por isso, era obrigado a viajar mensalmente aos Estados Unidos. Claro que sem condições para trabalhar, e com o alto custo das viagens e do tratamento, logo sua razoável fortuna acabou.

Sem condições financeiras para prosseguir o tratamento, Carreras tomou conhecimento de uma instituição em Madrid, denominada Fundación Hermosa, criada com a finalidade única de apoiar a recuperação de leucêmicos. Graças ao apoio dessa fundação, ele venceu a doença. E voltou a cantar.

Tornando a receber altos cachês, tratou de se associar à fundação. Foi então que, lendo os estatutos, descobriu que o fundador, maior colaborador e presidente era Plácido Domingo. Mais do que isso. Descobriu que a fundação fora criada, em princípio, para atender a ele, Carreras. E que Plácido se mantinha no anonimato para não o constranger por ter que aceitar auxílio de um inimigo.

Momento extraordinário, e muito comovente aconteceu durante uma apresentação de Plácido, em Madrid. De forma imprevista, Carreras interrompeu o evento e se ajoelhou a seus pés. Pediu-lhe desculpas. Depois, publicamente lhe agradeceu o benefício de seu restabelecimento.

Mais tarde, quando concedia uma entrevista na capital espanhola, uma repórter perguntou a Plácido Domingo por que ele criara a Fundación Hermosa. Afinal, além de beneficiar um inimigo, ele concedera a oportunidade de reviver a um dos poucos artistas que poderiam lhe fazer alguma concorrência. A resposta de Plácido Domingo foi curta e definitiva: "porque uma voz como essa não se podia perder."

Fazer o bem sem ostentação é grande mérito. Ainda mais meritório é ocultar a mão que dá. Constitui marca de grande superioridade moral. Não saber a mão esquerda o que dá a mão direita é uma imagem que caracteriza admiravelmente esse tipo de benefício.

Quando, ao demais, o benefício tem por objetivo maior atender um eventual desafeto, torna-se ainda mais meritório. A criatura demonstra, com tal atitude, estar acima do comum da humanidade.

Que essa história não caia no esquecimento. E, tanto quanto possível, nos sirva de inspiração e exemplo.

A vida em Quarteto [4]

Pertenciamo-nos
Pertenciamos
Pertences nossos
De Prefácios e Applauses
Resta a nostalgia
As risadas sem fim
Os puffs amarrotados
E a saudade
De momentos eternizados pelo tempo
Registrados num velho livro de memórias
E em nossas remotas/recentes lembranças
Momentos benzidos por Deus
Benza’Deus
Abençoados

A vida em Quarteto [3]

Fomos quarteto
Fomos sexteto
E aos poucos o grupo foi adquirindo novos componentes
Aqueles bailes longos com instantes eternizados na memória
Servem pra mostrar que cada segundo valeu a pena
E que cada reencontro devolve aos lábios
Aquele sorriso espontâneo de boas experiências partilhadas
Lembradas com carinho a cada novo amanhecer
Pistache
Coqueluche
Catuaba
Terrííííveis

A vida em Quarteto [2]

A vida molda quartetos
Quatro almas diferentes
Quatro momentos distintos
Quatro sorrisos conjuntos
Viagens
Festas
Fofocas
Lembranças
Momentos que realmente valem a pena
Guardados num retrato de lenços coloridos
Emoldurados nas bordas do tempo

A vida em Quarteto [1]

Foram muitos dias de espera
Ansiedade, fantasia
Sonhos que desataram lokos
A inventar mil quimeras
Aqueles encontros majestosos
Regados a canções, carteados, vinhos
Cada recuerdo que vale por mil anos
Cada segundo que reaproxima mil saudades

Princípio

Eu me empolgo no inicio
Nos gestos
Nos sorrisos
Nas dedicações
Nas dedicatórias
Levo comigo cada momento ao teu lado
Com a ansiedade de quem te conhece pouco
Com a curiosidade de quem te absorve muito
Com a certeza que me resta do futuro
Na pior das hipóteses
A certeza do sorriso
Perspectivas de felicidade

Passado, presente, futuro

Negrinho Roubado
Festas infantis
Pré-adolescências
Verdades-ou-conseqüências
Químicas Analíticas e Instrumentais
Chimas e Micros
Bigodes, Cevas e Saugaudinhos
Formatura minha
Formatura tua
Nossa vida sempre foi feita de capítulos
Regados com a cumplicidade de irmãos de pais distintos
E a fidelidade que nem distância nem amadurecimento apagam
Aquela que eu escolhi por minha irmã

Moli

Nossos gênios são incompatíveis
Sempre foram
Sempre denunciaram nossos defeitos e nossas virtudes
Teimosia
Cumplicidade
Arrogância
Compaixão
Desapego
Amor
As vezes me pego pensando todos os momentos que perco por não estar ao teu lado todos os dias
Do jeitinho que era antigamente
Mas penso que a saudade ainda me traz lembranças
De um amor estlagado
Com tempero de nostalgia
E choro de criança
Enquanto formos cabeça-duras
Vamos continuar batendo de frente
Sem perceber que, desviando um pouco a cabeça pro lado
Acabamos abraçados
Do jeito que sempre nos permitimos
Mesmo distantes
Mesmo aborrecidos
Somos um só
Não diga o contrário (que é o que tu está pensando agora)
Eu sei que tu sentes o mesmo
Este tempo que nos afasta
Só prova o quanto meu amor por ti é infundado
E ao mesmo tempo sólido
Sinto tua falta
Te amo!
Te dedico!
Te venero!

Revelações

Tu não és melhor que ninguém
Tu não és pior que nenhum outro
Tu não és nem mais especial, nem menos
Mas tu mereces momentos e dedicatórias só tuas
Por um único e simples motivo
TU ÉS MINHA!
Nada mudou
Nada muda
Nada mudará
Porque é pra sempre
Não tens mais que chorar por medo de estar sozinha
Mesmo não estando aqui, ainda estou aqui
Do jeito que tu sempre sonhou
Do jeito que sempre estarei